Publicado por: fgalvao | Agosto 15, 2007

A Liberdade Absoluta – Hegel

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A Liberdade Absoluta

Postado pelo utilizador UNO

Na utilidade, a consciência encontrou seu conceito. Mas ele, de um lado, é ainda objecto, e de outro lado, e por isso mesmo, é ainda fim, em cuja posse a consciência ainda não se encontra imediatamente. A utilidade é ainda predicado do objecto; não é ela mesma, sujeito; ou seja, não é sua efectividade única e imediata. É o mesmo que antes já aparecia: que o ser-para-si ainda não se mostrava como a substância dos demais momentos, de modo que o útil não fosse imediatamente outra coisa que o Si da consciência, e que ela assim estivesse em sua posse. No entanto, já aconteceu em si essa revogação da forma da objectividade do útil; e dessa revolução interior surge [agora] a revolução efectiva da efectividade, – a nova figura da consciência, a liberdade absoluta.

De facto, o que está presente não é mais que uma vazia aparência de objectividade, separando da posse a consciência-de-si. Com efeito, de um lado, retornou a essa determinação simples – como a seu fundamento e espírito – em geral toda a subsistência e vigência dos membros determinados da organização do mundo efectivo e do mundo da fé. De outro lado, porém, essa determinação simples nada mais tem de próprio para si; é antes pura metafísica, puro conceito ou saber da consciência-de-si.

Sobre o ser-em-si-e-para-si do útil como objecto, a consciência sabe de certo que seu ser-em-si é essencialmente ser para Outro; o ser-em-si como o carente-de-si é na verdade o passivo, ou o que é para um outro Si. Mas o objeto é para a consciência nessa forma abstracta do puro ser-em-si, pois é puro ato de intelecção [Einsehen] cujas diferenças estão na sua pura forma dos conceitos.

No entanto o ser-para-si ao qual retorna o ser para Outro – o Si – não é um Si diverso do Eu, um Si próprio daquilo que se chama objeto; porque a consciência, como pura inteligência, não é um Si singular ao qual o objeto igualmente se contraponha como Si próprio; senão que é o puro conceito, – o contemplar-se do Si no Si, o absoluto ver-se a si mesmo em dobro. A certeza de si é o sujeito universal, e seu conceito que-sabe é a essência de toda a efetividade.

Assim, se o útil era só a alternância dos momentos que não retornavam à sua própria unidade, e por isso era ainda objeto para o saber, [agora] deixa de ser isso: pois o saber mesmo é o movimento daqueles momentos abstratos: – é o Si universal, tanto o seu Si como o Si do objeto; e, enquanto universal, é a unidade, que a si retorna, desse movimento.

O espírito assim está presente como liberdade absoluta; é a cosnciência-de-si que se compreende de modo que sua certeza de si mesma é a essência de todas as ‘massas’ espirituais, quer do mundo real, quer do supra-sensível; ou, inversamente, de modo que a essência e a efetividade são o saber da consciência sobre si mesma. Ela é consciente de sua pura personalidade, e nela de toda a realidade espiritual: e toda a realidade é só espiritual. E, sem dúvida, não é o pensamento vazio da vontade realmente universal, vontade de todos os Singulares enquanto tais.

Com efeito, a vontade é em si a consciência da personalidade, ou de um ‘Cada qual’, e deve ser como esta vontade efetiva autêntica, como essência consciente-de-si, de toda e cada uma personalidade, de modo que cada uma sempre indivisamente faça tudo; e o que surge como o agir do todo é o agir imediato e consciente de um ‘cada qual’.

Essa substância indivisa da liberdade absoluta se eleva ao trono do mundo sem que poder algum lhe possa opor resistência. Por ser só a consciência, na verdade, o elemento em que as essências espirituais ou potências têm sua substância, colapsou todo o seu sistema que se organizava e mantinha pela repartição em ‘massas’ enquanto a consciência singular compreende o objecto de modo a não ter outra essência que a própria consciência-de-si, u seja, [enquanto compreende] que o objeto é absolutamente o conceito.

[Ora,] o que fazia do conceito um objecto essente era sua diferenciação em ‘massas’ subsistentes separadas; quando porém o objeto se torna conceito, nada mais de subsistente nele existe: a negatividade penetrou todos os seus momentos. Ele entre na existência de modo que cada consciência singular se eleva da esfera à qual era alocada, não encontra mais nessa ‘massa’ particular sua essência e sua obra; ao contrário, compreende seu Si como o conceito da vontade, e todas as ‘massas’ como essência dessa vontade; e, por conseguinte, também só pode efetivar-se em um trabalho que seja trabalho total.

Nessa liberdade absoluta são assim eliminados todos os ‘estados’ que são as potências espirituais, em que o todo se organiza. A consciência singular, que pertencia a algum órgão desses, e no seu âmbito queria e realizava, suprimiu suas barreiras: seu fim, é o fim universal; sua linguagem, a lei universal; sua obra, a obra universal.

O objeto e a diferença perderam aqui a significação da utilidade, que era o predicado de todo o ser real. A consciência não inicia seu movimento no objeto como el algo estranho, do qual retornasse a si mesma, mas para ela o objeto é a consciência mesma; assim a oposição consiste só na diferença entre a consciência singular e a universal. Ora, a consciência singular é imediatamente para si aquilo mesmo que de oposição tinha apenas a aparência: é consciência e vontade universal. O além dessa sua efetividade adeja sobre o cadáver da independência desvanecida do ser real ou do ser acreditado [pela fé], apenas como a exalação de um gás insípido, do vazio ser supremo [être suprême].

Depois da suprassunção das ‘massas’ espirituais distintas e da vida limitada dos indivíduos, como de seus dois mundos, só se acha presente, portanto, o movimento da consciência-de-si universal dentro de si mesma, como uma ação recíproca da consciência na forma da universalidade, e da consciência pessoal. A vontade universal se adentra em si, e é a vontade singular, a que se contrapõe a lei e obra universal. Mas essa consciência singular é, por igual, imediatamente cônscia de si mesma como vontade universal: é consciente de que seu objeto é lei dada por ela, e obra por ela realizada. Assim, ao passar à atividade e ao criar objetividade, nada faz de singular mas somente leis e atos-de-Estado.

Esse movimento é portanto a ação recíproca da consciência consigo mesma, em que a consciência nada abandona na figura de um objeto livre que a ela se contraponha. Daí se segue que não pode chegar a nenhuma obra positiva, – nem às obras universais da linguagem, nem às da efetividade, e nem a leis e instituições universais da liberdade consciente, em aos feitos e às obras da liberdade querente. A obra à qual poderia chegar a liberdade, que toma consciência de si, consistiria em fazer-se objeto e ser permanente como substância universal. Esse ser-outro seria a diferença na liberdade, segundo a qual ela se distinguiria em ‘massas’ espirituais susbsistentes, e nos membros dos diversos poderes. Essas massas seriam: de uma parte, as coisas-de-pensamento de um poder separado em legislativo, judiciário e executivo; de outra parte, porém, as essências reais que se encontravam no mundo real da cultura, e que para uma observação mais atenta do conteúdo do agir universal seriam as ‘massas’ particulares do trabalho, que serão posteriormente diferenciadas como ‘estados’ mais específicos.

A liberdade universal, que dessa maneira se dissociaria em seus membros e por isso mesmo se converteria em substância essente, seria assim livre da individualidade singular, e repartiria a multidão dos indivíduos entre seus diversos segmentos. Mas o agir e o ser da personalidade se encontrariam desse modo limitados a um ramo do todo, a uma espécie do agir e do ser. A personalidade, posta no elemento do ser, obteria a significação de uma personalidade determinada; deixaria de ser uma consciência-de-si universal, na verdade. Ora, essa consciência-de-si não deixa que a defraudem na [sua] efetividade pela representação da obediência sob leis dadas por ela mesma, que lhe assignariam uma parte [no todo]; nem por sua representação no legislar e no agir universal; nem pela efetividade que consiste em dar ela mesma a lei, e em desempenhar não uma obra singular mas o universal mesmo. Com efeito, onde o Si é somente representado e por procuração, não é efetivo: onde é por procuração, o Si não é.

Como nessa obra universal da liberdade absoluta a consciência-de-si singular não se encontra enquanto substância aí-essente, tampouco ela se encontra nos atos peculiares e nas ações individuais de sua vontade. Para que o universal chegue a um ato, precisa que se concentre no uno da individualidade, e ponha no topo uma consciência-de-si singular; pois a vontade universal só é uma vontade efetiva em um Si que é uno. Mas dessa maneira, todos os outros singulares estão excluídos da totalidade desse ato, e nele só têm uma participação limitada; de modo que o ato não seria ato da efetiva consciência-de-si universal. Assim a liberdade universal não pode produzir nenhuma obra nem ato positivo; resta-lhe somente o agir negativo; é apenas a fúria do desvanecer.

Mas a efetividade suprema, e a mais oposta à liberdade universal, ou melhor, o único ojeto que ainda vem-a-ser para ela, é a liberdade e singularidade da própria consciência-de-si efetiva. Com efetivo, essa universalidade que não se deixa chegar à realidade da articulação orgânica, e que tem por fim manter-se na continuidade indivisa, ao mesmo tempo se distingue dentro de si por ser movimento ou consciência em geral. De certo, em virtude de sua própria abstração, divide-se em extremos igualmente abstratos: na universalidade fria, simples e inflexível, e na rigidez dura, discreta e absoluta, e pontilhismo egoísta, da consciência-de-si efetiva. Depois que levou a cabo a destruição da organização real, e agora subsiste para si, é isso seu único objeto, – um objeto que não tem nenhum outro conteúdo, posse, ser-aí e expansão exterior, mas que é somente este saber de si como um Si singular, absolutamente puro e livre. Esse objeto, no que pode ser captado, é só seu ser-aí abstrato em geral.

Por conseguinte, a relação entre esses dois termos, já que são indivisamente e absolutamente para-si, e assim não podem destacar parte alguma para o meio-termo através do qual se enlacem, – é a pura negação totalmente não-mediatizada; e na verdade é a negação do singular como essente no universal. A única obra e ato da liberdade universal é portanto a morte, e sem dúvida uma morte que não tem alcance interior nem preenchimento, pois o que é negado é o ponto não-preenchido do Si absolutamente livre; é assim a morte mais fria, mais rasteira: sem mais significação do que cortar uma cabeça de couve ou beber um gole de água.

Na banalidade dessa sílaba consiste a sabedoria do governo; o entendimento, da vontade universal, de fazer-se cumprida. O governo não é outra coisa, ele mesmo, que um ponto que-se-fixa, ou a individualidade da vontade universal. O governo, um querer e executar uma determinada ordenação e ação. Assim fazendo, exclui por um lado os demais indivíduos de seu ato, e por outro lado se constitui como um governo que é uma vontade determinada, e por isso, oposta à vontade universal; não pode pois apresentar-se de outro modo senão como uma facção. O que se chama governo é apenas a facção vitoriosa, e no fato mesmo de ser facção, reside a necessidade de sua queda, [ou] inversamente, o fato de ser governo o torna facção e culpado.

Se a vontade universal se atém ao agir efetivo do governo como a um crime cometido contra ela, o governo ao contrário nada tem de determinado ou externo por onde se manifestasse a culpa da vontade que se lhe opõe; porquanto, frente a ele, como vontade universal efetiva, só está a pura vontade inefetiva, a intenção. Ser suspeito toma o lugar, – ou tem a significação e o efeito, – de ser culpado; e a reação externa contra essa efetividade, que reside no interior simples da intenção, consiste na destruição pura e simples desse Si essente, – do qual aliás nada se pode retirar senão apenas seu próprio ser.

A liberdade absoluta torna-se objeto para si mesma sua obra peculiar, e a consciência-de-si experimenta o que é essa liberdade. Em-si, ela é precisamente essa consciência-de-si abstrata, que elimina dentro de si toda a diferença e toda a subsistência da diferença. Como tal, ela é objeto para si mesma: o terror da morte é a intuição dessa sua essência negativa. Mas consciência-de-si absolutamente livre acha essa sua realidade de todo diversa a que era seu conceito sobre ela mesma, a saber, que a vontade universal seria apenas a essência positiva da personalidade, e que essa saberia que estava só de modo positivo, ou conservada, na vontade universal. Mas aqui a passagem absoluta de uma essência para a outra está presente, em sua efetividade, a essa consciência-de-si, que com pura inteligência separa pura e simplesmente sua essência positiva e [sua essência] negativa, – o absoluto sem-predicados como puro pensar, e como pura matéria.

A vontade universal, como consicência-de-si efetiva absolutamente positiva, por ser essa efetividade consciente-de-si erigida em puro pensar ou em matéria abstrata, se transforma na essência negativa, e se revela ser desse modo o suprassumir do pensar-se-a-si-mesmo, ou da consciência-de-si.

A liberdade absoluta assim tem nela, como pura igualdade-comsigo-mesma da vontade universal, a negação e por isso a diferença em geral; e, por sua vez, a desenvolve como diferença efetiva. Com efeito, a pura negatividade tem na vontade universal igual-a-si-mesma o elemento do subsistir ou a substância onde se realizam seus momentos; tem a matéria que pode aplicar em sua determinidade. E na medida em que essa substância se mostrou como o negativo para a consciência singular, forma-se assim de novo a organização da ‘massas’ espirituais, entre as quais se reparte a multidão das consciências individuais. Essas consciências, que sentiram o temor de seu senhor absoluto – a morte, – resignam-se novamente á negação e à diferença, enquandram-se nas ‘massas’ e voltam a uma obra dividida e limitada; mas assim retornam à sua efetividade substancial.

Desse tumulto seria o espírito relançado ao seu ponto de partida, ao mundo ético e ao mundo real da cultura, que se teria apenas refrescado e rejuvenescido pelo temor do senhor, que penetrou de novo nas almas. O espírito deveria percorrer de novo esse ciclo da necessidade, e repeti-lo sem cessar, se o resultado fosse somente a compenetração efetiva da consciência-de-si e da substância. [Seria] uma compenetração em que a consciência de si, que experimentou contra ela a força negativa de sua essência universal, não quereria saber-se nem encontrar-se como este particular, mas só como universal; portanto também poderia arcar com a afetividade objetiva do espírito universal, a qual a exclui enquanto particular.

No entanto, na liberdade absoluta não estavam em interação, um com o outro, nem a consciência que está imersa no ser-aí multiforme ou que estabelece para si determinados fins e pensamentos; nem um mundo vigente exterior, quer da efetividade, quer do pensar. Ao contrário, o mundo estava pura e simplesmente na forma da consciência, como vontade universal; e a consciência, do mesmo modo, estava retirada de todo o ser-aí, de todo o fim particular ou juízo multiforme, e condensada no Si simples.

A cultura, que a consciência-de-si alcança na interação com aquela essência, é por isso a suprema e a última: [consiste em] ver sua pura efetividade simples desvanecer imediatamente e passar ao nada vazio. No próprio mundo da cultura, a consciência-de-si não chega a intuir sua negação ou alienação nessa forma da pura abstração; mas sua negação é a negação repleta [de conteúdo], seja a honra ou a riqueza que obtém em lugar do Si, do qual ela se alienou; seja a linguagem do espírito e da inteligência que a consciência dilacerada adquire; ou o céu da fé, ou o útil do Iluminismo.

Todas essas determinações estão perdidas na perda que o Si experimenta na liberdade absoluta: sua negação é a morte, carente-de-sentido, o puro terror do negativo, que nele nada tem de positivo, nada que dê conteúdo. Mas ao mesmo tempo, essa negação em sua efetividade não é algo estranho. Não é a necessidade universal situada no além, onde o mundo ético soçobra; nem é a contigência singular da posse privada, ou do capricho do possuidor, do qual a consciência dilacerada se vê dependente: ao contrário, é a vontade universal, que nessa sua última abstração nada tem de positivo, e que por isso nada pode retribuir pelo sacrifício. Mas por isso mesmo, a vontade universal forma imediatamente uma unidade com a consciência-de-si, ou seja: é o puramente positivo, porque é o puramente negativo; e a morte sem-sentido, a negatividade do Si não-preenchida transforma-se, no interior, em absoluta positividade.

Para a consciência, sua unidade imediata com a vontade universal, sua exigência de saber-se como este ponto determinado na vontade universal, converte-se na experiência absolutamente oposta. O que nessa experiência desvanece para ela, é o ser abstracto, ou a imediatez do ponto carente-de-substância; essa imediatez que desvaneceu, é a vontade universal mesma, tal como ela agora se sabe, enquanto é imediatez suprassumida, enquanto é puro saber ou vontade pura. Desse modo, a consciência sabe a vontade pura como a si mesma, e se sabe como essência imediatamente essente; não a vontade como governo revolucionário; ou como anarquia; nem a si mesma como centro dessa facção ou da oposta. Mas a vontade universal é o seu puro saber e querer; e a consciência é a vontade universal, como este saber e querer. Aqui ela não se perde a si mesma, pois o puro saber e querer são muito mais ela mesma que o ponto atómico da consciência. Portanto, ela é a interação do puro saber consigo mesmo; o puro saber como essência é vontade universal, mas essa essência é o puro saber, simplesmente.

Assim, a consciência-de-si é o puro saber da essência como do puro saber. Além disso, como Si singular, é somente a forma do sujeito ou do agir efetivo, que é conhecida por ela como forma. Do mesmo modo, para ela, a efetividade objetiva, o ser, é pura e simplesmente a forma carente-de-consciência, pois essa efetividade seria o não conhecido; ora, esse puro saber sabe o saber como a essência.

A liberdade absoluta conciliou assim a oposição entre a vontade universal e singular, consigo mesma; o espírito alienado de si, levado até o cúmulo de sua oposição, em que são ainda diferentes o puro querer e o puro querente, reduz tal oposição a uma forma transparente, e nela encontra-se a si mesmo.

Como o reino do mundo efetivo passa ao reino da fé e da inteligência, assim a liberdade absoluta passa de sua efetividade que a si mesma se destrói, para uma outra terra do espírito consciente-de-si; e ali, nessa inefetividade, ela tem o valor de verdadeiro. No pensamento do verdadeiro o espírito se reconforta, na medida em que o espírito é pensamento, e pensamento permanece; e sabe que esse ser, encerrado na consciência-de-si, é a essência perfeita e completa. Surgiu a nova figura do espírito moral.

Fonte: Fenomenologia do Espírito de Hegel

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Responses

  1. liberdade absoluta

  2. O texto a seguir é um caso sério, mas em certa altura pessoas quase mijam de rir. Talvez seja porque alguns de nós riem para suplantar um problema num difícil momento de sobrevivência.

    O Criacionismo na Fidelidade Rigorosa da Bíblia.

    O que é intrigante é a posição da Terra em relação ao céu. Parece que o Muito Grande e poderoso sentado no Trono, quando dá uma descarga vem tudo direto pra cabeça de suas igrejas. E quando isso chega, a Terra fica com cheiro não muito bom. Talvez isso explique porque nos sentimos mal quando seus escolhidos superiores passam um mau-hálito quando falam tanto e tão perto de nossos ouvidos.
    Parece que somos como que uma espécie de pano-de-chão lá de cima.
    Rigorosamente pela escrita nosso pai, na melhor das hipóteses, é um assassino; o outro rapaz era bom; o poderoso não achou bom revivê-lo, e deixou o assassino se dar bem com as cabras. Daí que, uns de nós cismam, com certa razão, que são ovelhas; e os homens já têm assim coceira de chifres desde novos. Nosso avô é um mentiroso; nossa avó andava dando idéia às escondidas pra uma cobra. Como ela já gostava de cobra mentiu também pra ver se conseguia segurar no cipó do nosso avô.
    É uma HESTÓRIA linda; e muito criativa; e explica pra nós direitinho nossa condição nesse reino. Pra azar de nosso avõ ele ainda teve também dois filhos, igualzinho ao poderoso Manda-Chuva. Nesse reino existe uma certa aversão por mulheres. E parece que pra piorar os dois playboys sem muito o que fazer em suas vidas eternas, vidraram o olho logo aqui pra esse planeta, com tantos por aí. Talvez seja porque é o único que fica embaixo deles; pois no Universo a idéia de em cima e embaixo é de mero contexto proximal e precisa, no mínimo, de referencial. Mas isso não é pra aqui. Isso é coisa de somenos. Como diria o do curso de mau-hálito.
    O problema é que esses dois príncipes encantados parece que são muito espertos, apesar de ter um pai preguiçoso, que depende da gente pra fazer tudo, e só vive sentado e dando descarga, e cisma que temos que ficar gritando e batendo palmas pra ele, pra disfarçar o barulho que faz debaixo do trono; assim ele fica bem na fita. Ele é muito capacitado, por isso manda a gente fazer assim. E nos dá velas e cruzes e uma cartilha grossa que devemos ler todo dia de trás pra frente e de frente pra trás, pra decorarmos a estória desse reino maravilhoso, forte, e conselheiro.
    Os príncipes encantados, por serem crias de uma obra perfeita, vivem brigando. Parece que um continua chegado nas cabritas daqui, e o outro se amarrou na idéia de ser suspendido no tronco.
    A coisa desandou quando o outro, de sacanagem, chegou pro Tremendo e disse que o principezinho andava se amarrando em preferir só os jumentos; e tava com a idéia fixa de mandar todo mundo se entregar e entrar na onda dele. O negócio ficou feio lá por cima; e o monte de trovão e raio veio bater tudo em cima de quem? Dos filhos das cabras.
    Aí é que fica o problema. Porque parece que nenhum dos dois gosta de estudar; mas o pai deles ao invés de resolver a picuinha deles (nessa eternidade), pra nossa sorte manda os dois virem cobrar de nós a leitura da malfadada cartilha.
    É uma sina nossa, um karma; que será eterno enquanto dure.

    Fim do final.

  3. ola gostei muito do seu resumo vc pode ajudar fazer uma mografia com esse tema a liberdade em hegel.

    ricardo


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