Publicado por: fgalvao | Janeiro 15, 2008

Programa Novas Oportunidades – Ganhar sem esforço compensa

Programa Novas Oportunidades – Ganhar sem esforço compensa

Novas oportunidades, este é o nome do grande projecto para a educação elaborado pelo governo, uma forte aposta que segundo José Sócrates, vai de encontro às necessidades de todos aqueles que pretendem concluir os estudos que deixaram a meio. Computadores quase de borla foi a primeira cartada, jogada inteligente? Talvez, no entanto fico na dúvida se não haveriam outras prioridades, o nosso primeiro-ministro não se deve ter lembrado que muitos estudantes deixam a escola por falta de meios para pagar o elevado preço de alguns materiais escolares, como por exemplo os livros.

Há uns tempos atrás, um amigo chamava-me a atenção para a dificuldade que ele tinha em arranjar emprego, contava-me ele que era chamado para varias entrevistas e que regra geral até lhe corriam bem, no entanto quando dizia que estudava à noite a cara do outro lado alterava-se e era convidado a aguardar por um posterior contacto que… raramente acontecia. Isto faz-me pensar num assunto que foi esquecido pelo governo, as velhas oportunidades, é um facto que um estudante tem várias dificuldades em arranjar emprego e o governo nunca sequer tentou reverter essa tendência, se querem trazer os alunos para as escolas talvez devessem começar por aí.

O mais interessante destas Novas Oportunidades é que a suposta formação que os alunos recebem é uma coisa que, perdoem-me a expressão, mete dó! Os professores passam a ter o nome de formadores, os alunos não têm nota e passam automaticamente, basta que compareçam ao número de aulas necessárias. A certificação que o governo falou é uma espécie de equivalência que o aluno recebe, que consiste numa redução do já curto período de aulas que tem que assistir, um amigo professor que está encarregue de um desses cursos contou-me que para o processo de equivalências do ensino básico (até ao nono ano) são feitas perguntas (elaboradas pelo ministério) ao aluno e recordo-me que algumas delas eram: “Sabe quantos metros quadrados tem a sua cozinha?” “Compreende os discursos no parlamento?” (resposta sim ou não).
Segundo o governo, se o aluno responder sim a estas perguntas, está automaticamente com mais equivalências e precisa de um número menor de aulas para concluir o ensino básico, o mesmo se aplica ao secundário.

Esta palhaçada, não vai como é obvio qualificar ninguém, as estatísticas vão subir, vamos passar a ter mais pessoas com o 9º e com o 12º ano, na teoria vamos passar a ser um país mais qualificado mas na pratica continuamos como estávamos, incultos, pouco qualificados e estupidificados com a ideia que já temos uma qualificação suficiente. As empresas por sua vez vão ter alguma dificuldade em saber quem são os portugueses com o 12º ano que sabem fazer uma conta de dividir e os que não sabem, provavelmente terão que se actualizar e criar nas suas entrevistas situações-problema, ditados e contas de subtrair.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: