Publicado por: fgalvao | Fevereiro 18, 2008

Fecham cursos de Física, Matemática e Filosofia – em Évora

O Reitor da Universidade de Évora anunciou hoje que vai encerrar alguns cursos dando 3 encerramentos como certos: Matemática, Filosofia e Física. O argumento mais usual é o de que estes cursos não garantem empregos aos futuros licenciados. Esta verdade é apenas parcial na medida em que estes cursos estão às moscas porque o sistema de ensino português não consegue despertar interesse nos alunos por estas áreas, fazendo-os pensar que estes cursos não possuem mercado. Conviria dizer aqui que um sistema de ensino bem organizado garantiria, mesmo num país como o nosso, muitos mais empregos com estes cursos.

Mas o Ministério da Educação tem pensado que os nossos jovens não conseguem mais do que ser técnicos profissionais de pedreira. A realidade é que o sistema de ensino não vocaciona alunos para estas áreas vitais da cultura. E também não é preciso uma testa muito longa para perceber que num país onde a cultura científica é assim ameaçada, é um país que vai ter de continuar a comprar a ciência lá fora, pagando-a bem cara. Provavelmente vamos ter muitos técnicos sem saber o que fazer à vida. De que nos vale um bom técnico de mecânica se não tem motores para arranjar? Ou um bom técnico de informática sem criação e engenharia informática? E de que vale ser engenheiro sem saber pensar? O Reitor da Universidade de Évora esteve mal, não porque tenha de racionalizar os cursos com menos de 20 alunos (até aí estou de acordo), mas na explicação da razão pela qual estes cursos não têm mais alunos. Por seu lado o Ministério resolve assim os problemas: se a matemática é difícil, desvaloriza-se os seus conteúdos e preserva-se o nome da disciplina ou, se o povo não resmungar muito, acaba-se de vez com a disciplina.
Mas há aqui um outro aspecto que me parece em certa medida desresponsabilizar o Ministério da Educação deste desinteresse gradual por áreas tão centrais do saber e do conhecimento, a saber, afinal o que andam a fazer os filósofos portugueses, os matemáticos portugueses e os físicos portugueses para contrariar este estado de coisas? É mesmo melhor que comecem a divulgar os seus saberes e a estimar bem mais os graus de ensino mais básicos, a bem de todos. E eu a pensar que os cursos a fechar eram aqueles tão específicos que nem sabemos o nome! Coisa estranha… a ver o que se segue. Entretanto a Ministra da Educação vangloria-se de ter mais alunos nas escolas. Mas nunca explicou o que anda lá a fazer esta gente toda.

Com a devida vénia ao caríssimo Rolando Almeida do blog A Filosofia no Ensino Secundário

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